Minha relação com Caetano Veloso
Caetano Veloso já fez sua parte: embelezou a música brasileira maravilhosamente. Por no mínimo mais uns duzentos anos, vamos escutá-lo, aliás, futuras gerações, sabe-se lá por quanto tempo. Dificilmente se pode falar de música brasileira sem citá-lo. É poeta e um músico genial. Não só por isso e por muito mais, hoje eu não ligo a mínima para o que ele faz ou diz ou até dele compor coisas de gosto duvidoso, comerciais e adjacências. Não o conheço pessoalmente, gostaria, mas sinto que sua ingenuidade financeira foi deflorada pela sua ex-esposa e empresária. Dar-se a impressão que existe um Caetano antes e depois de Paula Lavigne que também conheço menos ainda, mas vi umas entrevistas com ela e não há dúvida do seu apego ao dinheiro pelo dinheiro. Confesso que fiquei até horrorizado com seus posicionamentos empresariais de resultados, maquiavelicamente falando. Não gosto dela, assim como a maioria dos fãs de Caetano. E a separação deles foi comemorada como um sopro de esperança, uma música boa no fim do túnel. É lógico que as pessoas precisam de dinheiro pra viver e Caetano por causa dela deve ser mais rico hoje, suponho, mas em contra partida mais pobre de inspiração. Pode nem ser por isso, o mundo mudou muito, houve muitas derrocadas de muros de Berlim nas artes também. Há coisas boas e ruins em decorrência disso que eu não saberia dizê-lo aqui. Carece-se de análises mais profundas, o que deixo pra José Ramos Tinhorão. Às vezes me pego a meditar, achando inacreditável vê-lo cantando “dói um tapinha não dói”, quando ouço “Tapete Mágico”, uma música essencial para o ouvido humano. Mas me cansei de me encasquetar com as loucuras dele e como eu disse acima, não vou ligar mais, sou um surdo. Quem sabe vou me descobrir mais na frente que sou muito conservador e que estou desatualizado com meu tempo. E também é sabido por todos que Caê é uma figura polêmica, um contestador, um iconoclasta, um libertário sempre saindo do quadrante que prende nós, os pobres mortais, dificultando nossa compreensão sobre ele que é uma espécie de bicho do mato e não se pega facilmente como as redes de andorinhas urbanas. O poeta Manoel de Barros deve entender dessas coisas, tanto quanto de lesmas do pantanal. Estou me depondo aqui pra quem quiser ouvir porque devo, e digo isso emocionadamente e chorando, que foi Caetano Veloso quem me trouxe à Música Brasileira e a um dos artistas que tenho uma admiração estonteante: Chico Buarque de Hollanda. Comecei a tocar violão muito cedo, aos 11 anos de idade. Mas desde que me entendo por gente, talvez uns 4 anos eu já gostava de música, fazia instrumentos musicais, batucava no quintal da minha infância. Houve um período antes do meu instrumento profissional, de latência musical, mas aqui é outra estória. Completando: Caetano assim como foi pra mim deve ter sido pra toda uma geração de músicos, aqui me incluo modestamente, um iniciador de coisas boas, de brasilidades. E paradoxalmente vou reverenciando ele em vida, pelo seu passado e caetaneando o que há de bom: amando-o, e com pequenas recaídas, odiando-o. Agora vocês me dão licença que estou escutando neste momento “Tapete Mágico”, é linda demais e “não dói também”.
Espero seu comentário, uma beijoca galvanizada do Zé do Quiabo.
4 comentários:
Galvao,
Muito envolvente seu depoimento inspirado em Caetano.
Muito pessoal e tocante (o que toca o coração), porque tocou o meu.
Vontade de ouvir Tapete Mágico.
Abraço meu
Você sabe o amor que tenho por Caetano...já lhe disse isso e repito. A mim não importam as atitudes, nem Paulas, nem mazelas...rs não consigo odiá-lo...
Ele continua sendo singular, assim como Clarice Lispector, incomparável...
Você tem Caetano na pele...um misto de Caê e Chico com tempero nordestino especial de Galvão...
Sua sensibilidade e musicalidade vai muito além daquilo que até você acredita!
Um grande beijo de sua fã...
Cacauzinha
O pior é que eu andava pensando como você...
Fui abrir a boca e quase acabei linchado...
Tá pensando o que?
Tem gente que não diferencia Cae de ontem com o de hoje...
Lavou minha alma...Vou mandar para os que me censuraram.
Agora, toca uma alegrinha aí,Zé!!!
Abraço grande
Edson C.Contar
Anônimo p nenhuma...
Eu digitei outra coisa. rsrs
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