Me perdoem os outros, mas Manoel de Barros é foda!!! Dificilmente se consegue ser igual há um minuto atrás após lê-lo.
A namorada
Manoel de Barros
Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa porum cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.
O catador
Manoel de Barros
Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,ou de lado,ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais - o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.
4 comentários:
Migão ai vai uma mensagem muito louca...
Diário de um louco
Cairo, capital do Egito, foi encontrado nas grutas do mar, falecido o Dário de um louco, que obtinha os seguintes dizer;
Eu nasci em 83, com 14 anos de idade avançada, alas não nasci, fui encontrado em um barco de madeira, feito de pedra, numa noite escura, em pleno meio dia. Enquanto chovia torrencialmente num sol de fritar bolinhos. Eu estava a pé , em uma carreta de bois, puxadas por 03 cavalos azuis. Estava indo para casa de uma velha, tão velha que já não tinha rótulo nem marca.
Todas as noite , ali pelas 10 da manhã, a velhinha calada, assim falava: _ você será um garoto de longos cabelos curtos, inteligente para burro e burro pra cachorro.
Meu pai era farmacêutico, porque trabalhava na roça, um dia ele plantou abóbora e colheu tomate e ai ficou na dúvida se era abómate ou tomabora.
Depois resolvi retirar-me da vida pública para a privada e eme dediquei a imprensa, imprensava gado vivo e vendia bife, embora tivesse bem de saúde, ganhei uma congestão da barriga da perna, e tive que ir ao dentista para extrair os dentes do meu pente. Mas a coisa pior, achei o nariz e acabo me matando. Ao chegarem no cemitério, enterrei o povo e voltei para casa , afim de terminar esse diário, escrito mensalmente por ano, por esses pés que nunca escreveram...
Do manicômio municipal ao vivo.
Louco
Que bom que vc lembrou de Manoel de Barros!! Eu nunca mais fui a mesma depois que comecei a lê-lo...rss
Teu Zé do Quiabo está cada vez mais apimentado, hein?!
Um grande beijo e saudade...
Cacauzinha
Adoro Manoel de Barros, mas esses poemas são meus, registrados na Biblioteca Nacional e expostos no meu site ( www.fabiorocha.com.br ) e ebooks. Por favor, corrija para que este engano não se espalhe mais ainda pela net. Abraços
Caro amigo
fábio Rocha, fiz as devidas correções. E você é poeta excepcional. Que bom conhecê-lo
abraços
Zé do Quiabo
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